Chegando a Innsbruck, a capital dos Alpes

Após a despedida de Degersheim, pegamos o trem por volta das 9 da manhã daquele sábado, 1 de Agosto, de Burcs até Innsbruck, nossa primeira e única parada na Áustria. Já no caminho as paisagens começaram a se modificar. apesar da fama da Suiça por seus Alpes, não tivemos contato com eles, pois ficamos apenas pelo norte do país, mas logo que entramos na Áustria as imponentes e belas montanhas gigantes se descortinaram, uma visão deslumbrante e encantadora.

Dimi apreciando as montanhas na viagem de trem

Chegamos ao nosso destino pouco depois do meio-dia e a nossa anfitriã Juliane, do Mala de Leitura do Tirol, nos buscou na estação e nos levou para o apartamento onde ficaríamos instalados aquela semana. Depois de ajeitar nossas coisas, saímos para almoçar e conhecer um pouco a cidade. A cada passo, cada esquina, fomos nos encantando um pouco mais: o contraste da bela arquitetura na cidade com a beleza natural das montanhas por todos os lados era algo magnífico, que nos deixava quase que com torcicolo, de tanto olhar para os picos monumentais. Almoçamos em um restaurante no centro histórico, algumas comidas típicas da região, como as salsichas, os pretzls e batatas. Tudo muito saboroso!

O contraste da cidade com as montanhas, uma combinação perfeita
Passamos toda a tarde passeando, conhecendo lugares como o Telhado de Ouro (na foto acima), a Domo de Saint Jakob (a catedral da cidade), as ruas históricas e as margens do rio Inn. No final da tarde ainda fomos a uma exposição de borboletas no Jardim Botânico da cidade, o que deixou as crianças encantadas, e depois fomos jantar na casa de Juliane e conhecemos Hans, seu marido, que nos recebeu com simpatia e preparou uma saborosa lasanha vegetariana. Ficamos até tarde conversando e ouvindo música, em um clima que nos fez sentir em casa.

Belas borboletas na exposição, onde podíamos vê-las assim de pertinho
No domingo era dia das nossas atividades. O encontro do Mala de Leitura seria no Consulado Honorário do Brasil e Juliane tinha organizado uma tarde de atividades conosco. Apresentamos, para um grupo bem heterogêneo de brasileiros e austríacos, o nosso "combo cultural" com leitura, poesia, brincadeiras poéticas, vídeo-poemas e música, claro. Foi uma tarde agradável onde vendemos os últimos exemplares do livro e conversamos com muitas pessoas, que nos incentivavam a ficar em Innsbruck, quando dizíamos que a viagem também era com a intenção de buscarmos um lugar para vivermos. 

Apresentação no Consulado
Na segunda-feira à tarde fomos fazer outro passeio com Juliane. Ela nos presenteou com o Innsbruck Card, que dava direito a visitarmos os principais pontos turísticos da cidade em 48 horas. Ela nos levou até o Nordkette, o teleférico que leva os turistas até o alto de uma das montanhas que circundam a cidade. O dia estava lindo e pudemos admirar belíssimas paisagens, de ficar assim de boca aberta mesmo. A cidade era linda, tinha tudo que mais amamos: cultura e natureza.

Os meninos no alto da montanha
A subida era dividida em duas partes: a primeira parada em um platô a 1.800 metros de altitude, onde há um restaurante muito movimentado e um parquinho para as crianças. É possível ver toda a cidade dali de cima e há binóculos para olharmos mais de perto os outros picos, ao redor da cidade, inclusive indicando as altitudes de cada um deles. Almoçamos nessa parada, deliciosos sanduiches que Juliane tinha levado para nós. Depois pegamos mais um trecho de bondinho e subimos até a última parada, a mais de 2.250 metros de altitude. As paisagens dali são ainda mais deslumbrantes, pois de um lado está toda Innsbruck e do outro lado uma cadeia de montanhas que vai até a Alemanha, uma paisagem selvagem e envolvente. É possível inclusive peregrinar por ali, pois há cabanas de acolhimento pelo caminho, e nos deu uma vontade imensa de fazer isso um dia.

Nós e o vale montanhoso atrás
À noite fomos a um churrasco na casa de Sirlene, uma brasileira casada com um austríaco que estava na atividade do domingo e nos convidou para passar uns dias com ela. Tivemos mais uma noite agradável regada à muita música e divertidas conversas. Tudo em Innsbruck fazia-nos sentir em casa, estávamos realmente empolgados. Na terça-feira aproveitamos o Innsbruck Card para visitar alguns pontos turísticos do centro da cidade: entramos no museu do Telhado de Ouro e na Torre da Cidade, de onde se tem uma vista de 360 graus, depois de subir seus 148 degraus. No final do dia ainda tentamos ir até Bergisel Ski Jump, uma enorme torre onde há saltos de esqui no inverno, mas ela já estava fechada, e ficamos admirando a cidade por outro ângulo.

Layla na Torre da Cidade
Na quarta-feira pela manhã aproveitamos as últimas horas do Innsbruck Card para visitarmos o Alpenzoo e foi um passeio e tanto, uma experiência única para todos nós, pois ali só há espécies dos Alpes, o que nos permitiu ver muitos animais que nunca tínhamos visto de perto, como a famosa "Rena do Papai-Noel". Passamos a manhã inteira ali - é preciso fôlego para caminhar, pois o zoo é no pé da montanha, com muitos aclives e declives - e almoçamos um pique-nique no parquinho do próprio zoo. 

Dimi e a rena
Era suposto irmos para a casa da Sirlene naquele dia, porém um imprevisto mudou todos os nossos planos: o Dimitri estava com catapora! No início não achamos que fosse, pois ele já tinha tido catapora com 2 anos de idade, mas no final daquela semana as bolhinhas estouraram. Passamos mais alguns dias no apartamento que a Juliane tinha arrumado pra gente e depois fomos para a casa de Jane e Anton, um casal que também esteve no Mala de Leitura e nos convidou para passar uma semana na casa deles. Eles tinham dois filhos também, mas não se importaram da possibilidade deles pegarem catapora. Dimi e Layla se divertiram muito toda a semana com Miguel e Alessandra, de 11 e 5 anos, respectivamente. 

Amigos reunidos
Visitamos também a Hildilene, uma cabelereira muito talentosa que ofereceu uma mudança para o visual da Layla, fazendo-lhe mechas coloridas. Ela e o marido têm um excelente astral e nos sentimos muito bem na companhia deles.

Estávamos agora no meio de um dilema: nos apaixonamos por Innsbruck e pelas possibilidades que ela oferecia. Tinhamos a viagem a continuar, entretanto não tínhamos mais muitos recursos financeiros. Passamos toda a semana tentando agitar modos de ficar na cidade, chegamos até a nos inscrever no Wwoofing da Áustria, porém não obtivemos nenhum sucesso. No final da semana, depois de muita conversa e reflexão, decidimos então abortar o projeto, terminar a viagem ali e voltar para Portugal, pois não tínhamos mais condições financeiras para seguir em frente e não conseguiríamos o visto como artistas, pois a Áustria tem uma política de imigração muito rigorosa. Anton nos ajudou a encontrar uma passagem aérea que coubesse em nosso curto orçamento e foi um anjo nisso, pois nas minhas pesquisas não tinha encontrado nada. Ele acabou conseguindo um voo que saía de Hannover na Alemanha, no domingo, já com o trem de Munique até lá incluído, por um preço muito em conta. Ficamos com esta opção e nos despedimos da família Mayrofer, agradecendo a eles por tudo. Ainda conheceríamos duas cidades no final da nossa rota de 2015.
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